Ideias são mais preciosas que diamantes. Todas as três ideias mais preciosas que eu já descobri se relacionam com o amor de Deus. Nenhuma delas é original, mas cada uma delas é revolucionária. Nenhuma delas veio de mim, mas todas elas vieram a mim com fogo e força súbitos: A experiência do "ahá!", a experiência do "eureka!". Elas vieram como constatações, não como crenças.
1 - Somente uma coisa é necessária.
A primeira ocorreu quando eu tinha seis ou sete anos. Foi a primeira descoberta consciente que fiz, e eu não acho que tenha tido nenhum pensamento mais maduro ou sábio que aquele. Eu lembro até hoje exatamente onde eu estava quando a ideia veio a mim: Rumo ao norte da Avenida Haledon, entre a Sexta e a Sétima Rua, em Paterson, New Jersey, depois da manhã de domingo, com meus pais. Não é memorável como nós lembramos com exatidão de onde estávamos quando grandes eventos acontecem e mudam nossas vidas? Eu tinha aprendido algumas coisas sobre Deus e Jesus, sobre o Céu, e sobre o bem e o mal na Igreja e na escola dominical. Como a maioria das crianças naquela idade, eu estava um pouco confuso e sobrecarregado, especialmente a respeito do que é que esse ser grandioso chamado Deus esperava de mim. Eu me sentia um pouco inseguro, penso eu, sobre não sabê-lo e um pouco culpado por não fazer tudo o que deveria fazer. Então de repente o sol brilhou entre a névoa. Eu vi a única coisa necessária que fez sentido e ordem de todo o resto.
Eu verifiquei meu insight com meu pai, minha mais confiável autoridade, que era um ancião da igreja e (mais importantemente), um bom e sábio homem. "Pai, tudo que eles nos ensinam na igreja e na escola de domingo, todas as coisas que eles nos ensinam na Bíblia - Tudo se resume a uma coisa, não é? Se nós nos lembrarmos da coisa mais importante de todos os tempos, então todas as outras coisas estarão OK, certo?" Ele era altamente cético. "Qual coisa? Há muitas coisas que são importantes" - "Quero dizer, eu deveria sempre perguntar a Deus o que Ele quer que eu faça e então fazê-la. Isso é tudo, não é?".
Homens sábios sabem quando perdem uma discussão. "Sabe, você está certo, filho. É isso." - Eu percebi, pela graça de Deus, não por minha própria inteligência, certamente - Que se Deus é Amor, nós então devemos amar a Deus e amar o que Deus ama. Eu entendi que se nos dirigirmos ao Divino Maestro e seguir sua sábia e amorosa batuta (Sua vontade, Sua palavra), então a música de nossa vida será uma sinfonia.
2 - A estrada para a felicidade é o Amor abnegado.
Uma segunda realização segue junto desta última. Isto é, ela se segue logicamente, mas não se seguiu imediatamente no tempo para mim. Ao invés disso, precisei de metade de uma vida para avaliar, entre milhões de experimentos, que cada um deles provou ter o mesmo resultado: A estrada para a felicidade é amor abnegado e a estrada para a infelicidade é o egoísmo, autopreocupação, e a busca pela felicidade pessoal. Nossa felicidade vem a nós somente quando nós não a procuramos. Em vez disso, ela vem a nós quando buscamos a felicidade dos outros.
É uma lição embaraçosamente comum para se aprender em tanto tempo, mas a maioria de nós aprende de uma maneira incrivelmente lenta. Nós constantemente tentamos outras maneiras, pensando que talvez a felicidade que não veio até nós de modo egoísta virá na próxima tentativa egoísta. Nunca vem. A verdade é clara, mas nós somos claramente cegos.
O segredo do amor não está escondido, porque Deus é Amor e Deus não está escondido. Deus disse através de seu profeta Isaías (45,19): "Não tenho falado às escondidas, nem numa terra tenebrosa. Não disse à raça de Jacó: Procurai-me no caos, eu, o Senhor, digo, a verdade, e me manifesto com toda a franqueza." É claro que os planos secretos de Deus, que não precisamos conhecer, estão escondidos. A natureza infinita de Deus, que mentes finitas não podem conhecer, está escondida. Mas a coisa que precisamos saber, Deus não esconde de nós. Ele a oferece a nós livre e publicamente. Jesus convidou promissores discípulos a "vir e ver" (São João 1,39). O apóstolo Paulo nos diz para "examinar tudo e reter o que é bom" (1Tessalonicenses 5,21).
Essa lição é tão bem conhecida que até um pagão feito Buda a conheceu profundamente, ou pelo menos a metade negativa de tal verdade. Sua "segunda nobre verdade" é que a fonte de toda infelicidade e sofrimento (dukkha) é o egoísmo (tanha). Todos os que ensinam o posto - Que egoísmo é o caminho para a felicidade - São almas infelizes. "Por seus frutos os conhecerá", nos disse Jesus. Quem são as pessoas mais felizes da terra? Pessoas como Madre Teresa e suas freiras não possuem nada, dão tudo e "se regozijam sempre no Senhor" (Filipenses 4,4).
3 - "Todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus"
Uma terceira espantosa realização foi a de que Romanos 8,28 é literalmente verdade: "Aliás, sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são os eleitos, segundo os seus desígnios." Este é certamente o versículo mais impressionante na Bíblia, pois certamente as coisas não parecem trabalhar totalmente para o bem. Nossas vidas contêm coisas terríveis! Mas se Deus, que é um Criador Todo Poderoso e Projetista e Provedor de nossas vidas, é 100% Amor, então necessariamente se segue, como a noite segue ao dia, que tudo neste mundo, do nascimento à morte, de beijos a tapas, de doces a câncer, vem a nós através da permissão de Seu amor ativo ou permissivo. É algo incrivelmente simples e perfeitamente razoável. A nossa complexidade adulta que é a única coisa em a faz parecer turva. Como disse G. K. Chesterton, a vida é sempre complicada para alguém sem princípios. Aqui está a brilhante simplicidade: Se Deus é amor total, então tudo o que Ele deseja para mim deve vir de Seu amor e para meu próprio bem, porque é isso que é o amor, desejar o bem da pessoa amada. E se esse Deus de amor absoluto é também onipotente e pode fazer tudo o que Ele deseja, então segue-se que todas as coisas precisam cooperar para o meu bem absoluto. Não necessariamente para o meu bem imediato, pois danos a curto prazo podem ser necessários para o bem a longo prazo. E não necessariamente para o meu bem aparente, pois aparências podem ser enganadoras. Portanto, o sofrimento não parece bom, mas sempre pode cooperar para meu bem último e real. Mesmo as coisas más que eu e outros fazemos, apesar de não virem de Deus, são permitidas por Deus porque foram incluídas em Seu plano. Você não pode dar xeque-mate, encurralar, surpreender ou vencer a Deus. "Ele tem o mundo inteiro em Suas mãos"*, a velha canção gospel nos diz. E Ele tem minha vida inteira em Suas mãos também. Ele poderia afastar qualquer mal - Natural, humano ou demoníaco - Como se abana uma mosca. Ele permite o mal somente porque ele coopera para o bem maior no fim das contas, como o fez com Jó.
Na verdade, todo átomo no universo se move exatamente como se move somente porque o Amor Onipotente o desenhou para tanto. Dante estava certo: "É o Amor que move o sol e todas as estrelas". Isso não é capricho poético, mas um sóbrio e lógico fato. Portanto, a coisa mais profunda que você pode dizer é esta simples oração infantil para refeições: "Deus é grande e Deus é bom; Agradeçamos a Ele por nossa comida. Amém!" Eu sempre acreditei no amor de Deus e em Sua onipotência. Mas uma vez que eu coloquei as duas primeiras ideias juntas, eu vi a inevitável conclusão lógica (Romanos 8,28) e apliquei essa verdade à minha vida, eu nunca mais pude ver o mundo da mesma maneira. Se Deus é grande (onipotente) e Deus é bom (amoroso), então tudo o que ocorre é nossa comida espiritual. E nós podemos e devemos agradecê-lo por isso. Mas quão frequentemente falhamos em reconhecer e apreciar esta simples mas profunda verdade?
Estas são, eu acho, as três mais profundas ideias que já tive. Entretanto, há uma ideia que ouvi e acho que é mais profunda ainda. É a resposta de Karl Barth a um questionador que lhe perguntou: "Professor Barth, você escreveu dúzias de grandes livros, a maioria de nós acha que você é o maior teólogo do mundo. De todas as suas ideias, qual a mais profunda que você já teve?" - Sem um segundo de hesitação, o grande teólogo respondeu:
- "Jesus me ama".
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