quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Divórcio, doutores e dissidência - Peter Kreeft

Cortar a grama pode ser um ótimo exercício mental, aparando pensamentos bem como apara a grama. Agora mesmo, atrás do meu cortador de grama, eu percebi a ligação entre dois pequenos eventos que ocorreram comigo hoje e a lição maior que eles compreendem.

Evento 1: Estava lendo pela enésima vez em um artigo estudantil palavras desse tipo sobre a "rigidez" da Igreja contra o divórcio: "A Igreja não está atendendo as necessidades de uma sociedade que está mudando. A Igreja é parte da comunidade e precisa se adaptar às necessidades do povo. A Igreja precisa mudar (I.e., aceitar divórcio)."

Evento 2: Eu estava conversando ao telefone com o médico da minha filha. Eu queria dar penicilina a ela para curar uma forte inflamação na garganta e minha mulher me disse, sabiamente, para checar com o médico primeiro. Eu liguei para ele, que me deu um não, dizendo que a penicilina provavelmente traria mais mal do que bem. Eu me surpreendi e ensaiei uma pequena discórdia. E ele respondeu gentilmente: "Quem é o doutor aqui?"

A Igreja alega ser a médica espiritual do mundo. E ela é ou não é. Se ela não é, então ela é falsa, uma enganação, e deveria ser banida. Se ela é, então é melhor escutar o que ela tem a dizer e obedecer, mesmo que suas ordens nos surpreendam - especialmente quando as ordens nos surpreendem. Afinal de contas, "quem é o doutor aqui?"


"Dissidentes" - Liberais, modernistas, revisionitas - normalmente não são pessoas más. Eles normalmente têm bons motivos. Normalmente eles têm um bom motivo para querer que a Igreja se "adapte" ao mundo. O motivo é ser prestativo. Eles querem que a Igreja seja prestativa aos tempos modernos. Mas a Igreja não pode ser prestativa adaptando seus ensinamentos à opinião do mundo assim como um médico não pode ser prestativo ajustando seus conselhos às opiniões do paciente.


Somente um médico que está certo onde o paciente está errado é útil. Um médico que está certo quando o paciente está certo não é útil, é só inofensivo. Um médico que está errado quando o paciente está errado não é prestativo, mas imprestável. E uma Igreja que está errada quando o mundo está certo não é prestativa, mas nociva.

Eu respeito a mente de um ateu consistente como Marx ou Voltaire, que dizem que a Igreja deveria ser destruída, mais do que respeito a de um "dissidente" católico que diz que a Igreja deveria "adaptar" seus ensinamentos às pesquisas de opinião do mundo. Ou a Igreja está errada ou o mundo está errado (A menos que a lei da não-contradição tenha sido revogada). Se o mundo está errado, é melhor que se arrependa e se endireite seguindo a Doutora Igreja. Se a Igreja está errada, ela deve ser banida do convívio social por ser uma charlatã.

A razão definitiva pela qual a Igreja não pode se adaptar ao mundo é que Seu Fundador lhe garantiu que os portões daquele lugar para o qual o mundo caminha nunca prevalecerão contra Ela.

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